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Relatório Técnico - 2018 (Sinópse)
As vinhas do Lau Velho, Lau Novo, Lagameças e Biscaia apresentam os terrenos quase planares, com pendor muito suave em todas as parcelas, observando-se uma variação máxima de cota de cerca de 0.80 m na parcela de Lagameças e cerca de 1.10 m nas parcelas do Lau Novo e do Lau Velho. Relativamente ao padrão de drenagem das águas de superfície, todas as parcelas apresentam padrão de drenagem artificial devido à presença de camalhões, com direcção SW-NE. No caso dos terrenos de Lagameças e Lau Novo, o escoamento apresenta dois sentidos (NE-SW e SW-NE), enquanto que no terreno Lau Velho, este apresenta escoamento apenas no sentido NE-SW. Cerca de metade da área  da parcela de Lagameças apresenta características morfológicas propensas à acumulação de águas de superfície (cerca de 480), enquanto que as parcelas de Lau Novo e Lau Velho apresentam apenas 1/3 das condições de aptidão à infiltração de águas superficiais. Os teores de matéria orgânica predominam na Biscaia, sendo o pH mais baixo e ligeiramente ácido, a par de uma maior condutividade eléctrica. Neste enquadramento, os teores de Zn predominam na Biscaia e no Lau Velho (ainda que não se tenham detectado diferenças significativas entre os tratamentos). Relativamente aos restantes elementos minerais predomina uma acentuada heterogeneidade entre as 4 vinhas, sendo excepções o Mg, Mn e Cu. Enquanto contaminantes, detectaram-se ainda níveis elevados de Pb e As nos solos em todas as vinhas.
Equacionando a qualidade da água do Lau Velho, constatou-se que não subsiste perigo de alcalinização para o solo, possuindo um baixo teor em sódio.
Considerando a influência do clima no processo de biofortificação em Zn, nas quatro vinhas subsistiram factores atípicos na região, não sendo de excluir algum efeito prejudicial no metabolismo de acumulação de Zn nos frutos. De facto, as análises colorimétricas aos tecidos folheares, sugerem a possibilidade da actuação de factores de stress abiótico, eventualmente térmico, fotoinibição e hídrico.
O itinerário técnico de biofortificação em Zn adoptou o conjunto de acções usuais para as vinhas, tendo-se procedido ainda à aplicação folhear de óxido de zinco (OZn) e sulfato de zinco (SZn) em 16 de Junho, 7 e 21 de Julho e 6 de Agosto. As colheitas foram efectuadas em 17.9.2018 (Fernão Pires – no campo do Lau Velho), 24.9.2018 (Castelão – no campo Lagameças), 25.9.2018 e 26/9/2018 (Moscatel – no campo do Lau Novo) e 6.10.2018 e 11/10/2018 (Syrah – no campo da Biscaia). Neste enquadramento verificou-se um acentuado predomínio de interacções sinérgicas, antagónicas e heterogéneas entre a acumulação de Zn e os restantes elementos minerais nas folhas e frutos em desenvolvimento. Este aspecto decorrerá da elevada mobilização de moléculas orgânicas para o fruto em conjugação com factores de stress atrás sugeridos. Neste contexto, seguiu-se a monitorização fisiológica da vinha que revelou na casta branca Fernão Pires que a Pn não foi ligeiramente afectada para ambos os produtos e qualquer das doses aplicadas na 1ª data de avaliação, mostrando maior impacto na 2ª data de avaliação. Destaca-se a manutenção da eficiência fotoquímica (máxima e actual) do PSII em todos os tratamentos, em ambas as datas. Dos restantes parâmetros de fluorescência destaca-se a ausência de efeitos negativos claros para os produtos e doses aplicadas, mas, apesar do impacto na Pn e gs, persistiu a manutenção de maior actividade do transporte fotossintético de electrões (Y(II)), e maior proporção de energia usada para eventos fotoquímicos (qL). Relativamente à casta branca Moscatel a Pn não foi notoriamente afectada para ambos os produtos e qualquer das doses aplicadas na 1ª data de avaliação, tendo permanecido sem afectação (face ao controlo) em tratamentos de ambos os produtos (ligado a maior valor de gs) na 2ª data de avaliação. Tal como na casta Fernão Pires, destaca-se a manutenção da eficiência fotoquímica (máxima e actual) do PSII em todos os tratamentos, em ambas as datas. Dos restantes parâmetros de fluorescência, destaca-se a melhor performance do transporte fotossintético de electrões (Y(II)) e de uso de energia para eventos fotoquímicos (qL) para todos os tratamentos na 1ª avaliação, em consonância com o maior impacto negativo na Pn, o que no seu conjunto sugere o estudo da aplicação de menores doses de Zinco. Na casta Castelão observou-se um impacto na Pn que difere das castas brancas analisadas (Fernão Pires e Moscatel). Ambas as soluções e doses provocaram grandes decréscimos de Pn e gs na 2ª data de avaliação, e apenas ZnO (ambas as doses) não afectou esses parâmetros na 1ª avaliação, pelo que se sugere o estudo de aplicação de menores doses de Zinco. Tal como nas castas brancas analisadas, destaca-se a manutenção da eficiência fotoquímica (máxima e actual) do PSII em todos os tratamentos, em ambas as datas. Dos restantes parâmetros de fluorescência destaca-se que, ao contrário do observado para Pn, na 1ª data de avaliação nenhum tratamento teve impacto negativo na performance do transporte fotossintético de electrões (Y(II)) e do uso de energia para eventos fotoquímicos (qL). Na casta tinta Syrah a Pn não foi afectada para ambos os produtos e qualquer das doses aplicadas na 1ª data de avaliação (apesar de tendência para menores valores de Pn e gs com uso de ZnO), tendo permanecido sem afectação na 2ª data de avaliação, face ao controlo (que também diminuiu). Destaca-se de novo (sendo por isso comum às 4 castas estudadas) a manutenção da eficiência fotoquímica (máxima e actual) do PSII em todos os tratamentos, em ambas as datas. Dos restantes parâmetros de fluorescência, e ao contrário do observado para Pn, o uso de energia para eventos fotoquímicos (qL) foi negativamente afectado por ambos os produtos e doses nas 2 datas de avaliação. Essa afectação generalizada foi ainda observada para o transporte fotossintético de electrões (Y(II)) na 2ª data de avaliação, pelo que, no seu conjunto, os resultados sugerem o estudo da aplicação de menores doses de Zinco.
À colheita o índice de biofortificação média (considerando a totalidade das uvas, com aferição por espectrofotometria de absorção atómica) em Zn, nas castas Fernão Pires, Moscatel, Castelão e Syrah correspondeu a 17,3% - 23,7%, 123% , 123%, e 120%. Subsistiu assim uma acentuada heterogeneidade nos índices de biofortificação de Zn entre tratamentos e tipologia das substâncias pulverizadas. Acresce ainda que, com recurso à quantificação por fluorescência com raios X se constatou que não subsistiram variações apreciáveis nos teores de Zn na casta Fernão Pires, enquanto que na casta Moscatel ocorreu um incremento significativo nalguns tratamentos. Também na casta Castelão o Zn se destacou nalguns tratamentos, enquanto que na casta Syrah não se verificaram variações significativas relativamente ao controlo. Aponte-se que as diferentes concentrações obtidas para os diferentes elementos minerais quando se utilizam técnicas de fluorescência por raios X ou espectrofotometria de absorção atómica, resultaram essencialmente de quatro factores: a) diferentes métodos de preparação das amostras (desidratação ou digestão ácida) para subsequente quantificação dos elementos; b) heterogeneidade no processo de enriquecimento das amostras em Zn (que irão determinar diferentes índices nas relações sinérgicas e antagónicas nos elementos minerais das amostras), pois durante o processo de pulverização a quantidade de cloreto de cálcio total que incide em cada planta poderá variar de forma substancial (o que determinará teores parcialmente diferenciados nas amostras do mesmo tratamento e que assim irão ser detectados durante o processo de quantificação); c) estando a absorção de Zn condicionada pelos factores ambientais (vento, temperatura, radiação solar, humidade do ar, etc.), diferentes graus de exposição das amostras de cada tratamento a estes factores abióticos, pode favorecer a desidratação da calda de oxido de zinco ou sulfato de zinco pulverizada numas amostras em detrimento de outras (num mesmo tratamento), condicionando assim a absorção de Zn; d) diferentes limites de detecção e quantificação em cada uma das técnicas utilizadas.
À colheita, efectuando uma caracterização da acumulação de Zn a nível tecidular, com recurso à espectroscopia dispersiva de energias de raios X (SEM-EDS) e assumindo a razão Zn/Ca, constatou-se que nas castas Fernão Pires e Moscatel parece prevalecer um enriquecimento relativo na zona periférica da película, ocorrendo o oposto nas castas Castelão e Syrah. Paralelamente, efectuou-se o mapeamento da acumulação de Zn com recurso um sistema μ-EDXRF M4 Tornado™, tendo-se verificado que uma razoável heterogeneidade na acumulação de Zn entre a película e a grainha das uvas. Em concreto, verificou-se que a casta Moscatel não apresentou teores superiores de Zn relativamente ao controlo em todos os tratamentos (excepto SZn10), e que nas restantes castas ocorreu na película um incremento substancial nos teores de Zn com a aplicação de óxido de zinco ou sulfato de Zinco. Nas castas Castelão, Syrah  e Fernão Pires, com a aplicação de óxido de zinco verificou-se um incremento em Zn de 170%, 141% e 154%, respectivamente. Nestas castas, com a aplicação de sulfato de zinco também se constatou na película um aumento de Zn em 50,3%, 137% e 70,1%, respectivamente. Paralelamente, nas grainhas da casta Moscatel, Castelão, Syrah e Fernão Pires verificou-se que o Zn predominou em SZn30 e SZn60, OZn30 e OZn60, SZn60 e OZn10, OZn60 e SZn10, respectivamente. Nestes tratamentos os respectivos teores oscilaram entre 19,7 – 28,6 ppm, 20,9 – 27,8 ppm, 19,1 – 27,6 ppm e 49,9 – 44,7 ppm.
Equacionando a densidade, peso fresco do cacho, peso seco, sólidos solúveis totais e parâmetros colorimétricos, constatou-se que as variações nos diferentes tratamentos de cada casta foram pouco relevantes. Relativamente à firmeza, força de penetração e dureza da polpa a biofortificação não foi significativa na casta Syrah, contudo a casta Fernão Pires revelou, face ao controlo, valores menores para a firmeza e força de penetração nas amostras biofortificadas. No plano sensorial constatou-se que na casta Fernão Pires a biofortificação parece influenciar positivamente a aparência, enquanto que na casta Syrah todos os parâmetros organolépticos parecem favorecer a uva biofortificada.
A produção de vinho a partir das quatro castas biofortificadas revelou que de uma maneira geral, após a avaliação pelo painel dos provadores, que os vinhos estavam abaixo do que seria espectável.

Relatório Técnico - 2019 (Sinópse)
A permanência das variedades nos mesmos terrenos do ano anterior, justificou a ausência de nova recolha de solos, efetuando-se apenas a análise da qualidade da água desta vez não só no terreno do Lau Novo, como na Biscaia, sendo que as análises de 2019 corroboram os resultados de 2018, constatando-se novamente que no campo do Lau Novo não subsistiu perigo de alcalinização para o solo, possuindo um baixo teor em sódio. Os parâmetros analisados em 2019 foram ainda semelhantes em ambos os campos em que a vinha é irrigada.
Considerando a influência do clima no processo de biofortificação em Zn, destaca-se que o Verão de 2019 (junho, julho e agosto), espaço temporal em que decorreu o ensaio, foi classificado como frio relativamente à temperatura do ar, e seco equacionado a precipitação.
Através da análise colorimétrica aos tecidos folheares, constatou-se que numa fase prévia à implementação do itinerário técnico, para a casta Fernão Pires já se observavam diferenças entre o controlo e as linhas que seriam sujeitas a pulverizações. Após as quatro pulverizações, verificou-se que para os tratamentos face ao controlo, a luminosidade aumentou, assim como a contribuição do verde e do amarelo. Na casta Moscatel, antes de qualquer pulverização, observou-se para o parâmetro L, diferenças entre o controlo e as linhas que seriam sujeitas a pulverizações com óxido de zinco. Após o final das pulverizações, esta diferença foi atenuada, passando a observar-se ainda uma menor contribuição do verde nos tratamentos com SZn, acompanhado de uma diminuição do amarelo nos mesmos tratamentos. Para a casta Castelão, antes das pulverizações, praticamente não se observaram diferenças significativas nos diferentes parâmetros analisados. Após as quatro pulverizações, face ao controlo, para os diferentes tratamentos, o parâmetro da luminosidade diminuiu ligeiramente, e observou-se uma menor contribuição do amarelo. Relativamente à casta Syrah, à semelhança da casta Moscatel, antes das pulverizações, existiam diferenças no parâmetro L. Após as quatro pulverizações, no parâmetro a*, ocorreu um aumento da contribuição do verde nos tratamentos com sulfato de zinco, e em b*, a maior concentração de OZn, evidenciou menor contribuição do amarelo.
O itinerário técnico de biofortificação em Zn adoptou o conjunto de acções usuais para as vinhas, tendo-se procedido ainda à aplicação folhear de óxido de zinco (OZn) e sulfato de zinco (SZn) em 29 de Junho, 6, 13 e 19 de Julho, nas seguintes concentrações para cada produto: 0 %, 60 %, 90 %. (i.e., 0, 900, 1350 g ha-1). As colheitas foram efectuadas em 26/08/2019 (Fernão Pires – no campo do Lau Velho), 25/09/2019 (Castelão – no campo Lagameças), 10/09/2019 (Moscatel – no campo do Lau Novo) e 14/09/2019 (Syrah – no campo da Biscaia).
Neste enquadramento, observou-se que nas folhas das diversas castas numa fase prévia à implementação do itinerário técnico, os teores de Zn se encontravam semelhantes nas diferentes plantas. Por vezes, as plantas controlo apresentavam teores de Zn superiores às plantas que seriam sujeitas a pulverizações. Na fase posterior à aplicação de quatro pulverizações, os teores de Zn nas folhas de todas as castas foi significativamente superior em todas os tratamentos face ao controlo. Simultaneamente, observou-se que após as pulverizações, os teores de zinco no fruto aumentaram nos frutos pulverizados face ao controlo, observando-se teores significativamente superiores em OZn nos terrenos do Lau Velho, Lau Novo, e Biscaia. No caso do Lau Velho e Lau Novo, também se observaram estas diferenças em SZn60 e SZn90 respetivamente. Em Lagameças, os tratamentos com SZn e OZn60 apresentavam diferenças significativas do controlo. À semelhança do ano passado, verificou-se um predomínio de interacções heterogéneas entre a acumulação de Zn e os restantes elementos minerais nas folhas e frutos em desenvolvimento, podendo este aspecto relacionar-se com a mobilização de moléculas orgânicas para o fruto.
Neste contexto, seguiu-se novamente a monitorização fisiológica das diferentes castas, apontando os resultados obtidos para a possibilidade de aplicação das doses máximas de qualquer dos dois produtos estudados (SZn90 e OZn90), com alguma vantagem potencial no uso de ZnSO4. A única excepção poderá ser a casta Syrah, para a qual se sugere as doses de SZn60 e OZn60, embora a aplicação de doses máximas não deva ser descartada. Dentro das doses máximas de ambos os produtos, a aplicação da forma em sulfato mostra uma tendência para melhor funcionamento fotossintético (por exemplo, Fv’/Fm’ e Y(II), excepto na casta Moscatel). Este poderá ser efeito secundário positivo, devido ao controlo de oídio. Desta forma, SZn90 destaca-se para aplicação generalizada, excepto em Syrah (SZn60). De notar que o ensaio de 2018 apontou para aplicações abaixo de 900 g ha-1 para a generalidade das castas, pelo que na conjugação dos resultados dois anos se deverá optar por uma aplicação mais moderada (900 g ha-1) em vez da dose máxima (1350 g ha-1), apesar desta, em geral, não mostrar efeitos negativos no ensaio de 2019. A aplicação de zinco terá inclusivé um efeito benéfico na manutenção do desempenho da maquinaria fotossintética até mais tarde no ciclo de vida da videira, o que poderá estar ligado, por exemplo, ao papel do zinco nos processos antioxidativos, nomeadamente pelo seu papel na enzima Cu,Zn-superoxido dismutase.
Deve ainda referir-se que as castas que beneficiaram de rega (Moscatel e Syrah) foram as que mostraram maiores ganhos ao nível da fotossíntese em datas mais adiantadas do ciclo de vida da videira. De facto, nas castas sem rega (Fernão Pires e Castelão) poderá ter ocorrido uma interação entre a aplicação de zinco e o forte défice hídrico a que as plantas estiveram sujeitas, principalmente na segunda data de avaliação, que poderá ter limitado (ou potenciado) os tempo e/ou processos de a absorção e translocação de zinco para a uva tendo em conta o impacto na assimilação de carbono em fases mais adiantadas do ciclo de vida, algo a confirmar pelos estudos feitos ao nível do fruto.
À colheita o índice de biofortificação para a casta Fernão Pires, variou entre 12 % e 32,1% (não considerando o tratamento SZn60). Na casta Moscatel (campo Lau Novo), ocorreu biofortificação, obtendo-se um índice que variou entre 6,5 % - 31,0 %. Na casta Castelão (campo Lagameças), o índice de biofortificação correspondeu a 61,0 % - 326,9 %. Por fim, na casta Syrah (campo Biscaia), o índice de biofortificação variou entre 34,8 % e 129,6 %. Observou-se ainda que o tratamento OZn90 apresentou o teor mais elevado em todas as castas.
Equacionando a densidade, peso fresco do cacho e peso seco à colheita, no geral, para as quatro castas, não se observaram diferenças significativas excluindo-se apenas o teor de sólidos solúveis totais, sendo que neste caso, apenas a casta Castelão apresentou um valor superior no controlo face aos restantes tratamentos, contrariamente às restantes castas. À colheita, os índices colorimétricos do fruto não apresentaram diferenças significativas nas castas Castelão e Syrah. No caso da casta Moscatel, a análise de varrimento não indicou diferenças significativas, sendo que apenas se observou uma diferenças entre o controlo e um dos tratamentos no parâmetro b* (amarelo/azul). A casta Fernão Pires foi a única que apresentou diferenças nos dois métodos colorimétricos. Por sua vez, ambas as castas tintas apresentaram valores de transmitância inferiores a 600 nm por comparação com as restantes.
Relativamente ao teor de lípidos nos frutos, as castas de uva branca (Fernão Pires e Moscatel) não foram afetadas pelos tratamentos com SZn ou OZn. Nas castas de uva tinta, Castelão foi beneficiada pelos tratamentos com SZn, apresentando um aumento gradual dos teores de lípidos nos tratamentos SZn-60 (44 %, não significativo) e SZn90 (aumento de 67 %). Em Syrah, o conteúdo de lípidos em OZn90 decresceu 36 % relativamente a OZn60, e não foi afetado pelos tratamentos com SZn. Em controlo, o perfil de ácidos gordos dos frutos diferiu entre castas de uva brancas e tintas, com percentagens semelhantes (30 - 33%) de ác. palmítico (C16:0) e ác. linoleico (C18:2) em Fernão Pires e Moscatel, e predominância de C16:0 em Castelão e Syrah. Com os tratamentos de biofortificação a insaturação dos lípidos manteve-se estável exceto na casta Castelão em OZn90, onde se observou um incremento de 56 % da insaturação (maior DBI) resultante de maior abundância de C18:2 (embora não significativa) e do decréscimo de C16:0.
No plano sensorial constatou-se que através da aplicação de provas triangulares para as diferentes variedades e respetivos tratamentos de biofortificação (apenas concentrações mais elevadas), o painel de provadores identificou que as amostras de uva Castelão e Syrah tratadas com OZn90 como sendo significativamente diferentes das respetivas amostras de uva sem biofortificação (amostras controlo). Salienta-se que a avaliação não foi efetuada nas castas Syrah tratada com SZn90 e Fernão Pires em ambos os tratamentos, por estas se encontrarem em condições não próprias para consumo a quando da sua receção.