Paleoambiente e paleoecologia

Reconstituição paleoambiental

  • Laúndos 1

Neste afloramento, encontram-se seres bentónicos (trilobites, braquiópodes e bivalves) e nectónicos (Eurypterida, Phyllocarida e peixes acanthodii).  O fundo deste ambiente marinho, era constituído por sedimentos finos como se pode constatar a partir do tipo de rochas que compõem a jazida. Estes sedimentos sugerem que a velocidade da corrente seria baixa, pelo menos o suficiente para não levantar grandes volumes de sedimentos em suspenção. A reduzida turbidez da água, sugere por isso um ambiente bem iluminado. A presença de braquiópodes sustenta a hipótese da baixa velocidade da corrente, pois dependem dela para se conseguirem alimentar devidamente. Pelo fundo, deslocavam-se trilobites por entre os braquiópodes e possíveis bivalves Nuculoidea que tinham estilos de vida endobentónicos. Acima, na coluna de água, nadavam peixes acanthodii em conjunto com pequenos Phyllocarida e com  os Eurypterida, grandes predadores da época. Junto com estes existiam cefalópodes orthoceratideos que se deslocavam lentamente pela água. 

Figura 1: Bloco diagrama representando o paleoambiente e fauna presentes na Jazida 1 de Laúndos. 1-Ischnacanthus sp. 2- Onchus tenuistriatus. 3- Climatius sp. [ Burrow (2017)] 4- Cefalópode Orthoceratideo. (segundo Priem, 1911). 5- Braquiópodes (géneros referidos no capítulo 6). 6- Euripterídeo. 7- Trilobites Asteropyginae [segundo Carrington da Costa, 1930)]. 8- Phyllocarida. 9- Bivalves Nuculoidea. A imagem não tem escala.

  • Laúndos 2

Nesta jazida, estão presentes seres bentónicos em abundância, vivendo sob um substrato composto por sedimentação fina e portanto com uma corrente de baixa velocidade. Neste ambiente, essa baixa velocidade é suportada não apenas pelo tipo de sedimentação e pela presença frequente de braquiópodes, como também pela presença de crinoides, briozoários e corais tabulados e rugosos.  Estes últimos ocorrem normalmente em águas límpidas e com pouca turbidez e assim como os crinoides não toleram grandes variações no teor salino da água pelo que a presença destes grupos indica um ambiente mixoeuhalino. A presença frequente de corais, sugere que este paleoambiente seria do tipo patch-reef, ou seja, pequenos recifes distribuídos por sedimentos móveis. No entanto, algumas espécies (como o Pleurodictyum, por exemplo) podiam também fixar-se a outras superfícies, como por exemplo conchas de braquiópodes ou até mesmo em cima de outros corais. Entre os corais fixavam-se briozoários fenestelideos (e outros), várias espécies de braquiopópodes e crinoides. A presença deste último grupo sugere águas pouco profundas, pois durante a Era Paleozóica este grupo era típico destes ambientes (Dodd & Stanton, 1990). Por entre os recifes existiam bivalves epibentónicos e várias espécies de trilobites com tamanhos diversos. Vivendo num estilo de vida  endobentónico (segundo Cornell, et. al., 2003) viviam diversas tentaculites enterradas no substrato móvel. 


Figura 2: Bloco diagrama representando o paleoambiente e fauna presentes na Jazida 2 de Laúndos. 1- Crinoides representados por vários taxa (ver capitulo 6 para os géneros reconhecidos). 2- Corais rugosos. 3- Pleurodictyum nov. sp. 4- Briozoarios fenestellideos. 5- Bivalves com estilo de vida epibentónico. 6- Braquiópodes representados por vários géneros.7 – Asteroide Palaeaster sp. (segundo Carrington da Costa (1930)) 8- Bivalve Pterinea sp. 9-Tentaculites com estilo de vida sedentário (segundo Cornell & Brett, 2003). 10- Trilobites Calymenina, representadas por vários géneros. (segundo Caprichoso, 2019) 11- Trilobites Asterospyginae. 12- Trilobites Phacopinae. A imagem não tem escala.

  • São Pedro da Cova

Nesta jazida, está registada uma comunidade maioritariamente bentónica com a possivel existência de nectónicos (Phyllocarida). Estes animais habitavam num fundo com sedimentação fina e com ripples ligeiramente assimétricos, demostrando uma corrente de baixa velocidade. Esta corrente é no entanto suficiente para reorientar numerosas conchas de pequenas tentaculites. A velocidade da corrente sugere ainda, um ambiente bem iluminado que é sustentado pela presença de corais tabulados e rugosos. A presença de crinoides  e de corais, sugere que este ambiente teria águas pouco profundas e um nível de salinidade normal (mixoeuhalino). Como nas jazidas anteriores, também nesta existiam trilobites a deslocar-se pelo fundo por entre os recifes (patch-reef) com crinoides, briozoários e braquiópodes associados. Possiveis Phyllocarida nadavam na coluna de água em busca de alimento e no fundo viviam ainda bivalves e pequenas tentaculites. 

Figura 3: Bloco diagrama representando o paleoambiente e fauna presentes em São Pedro da Cova. 1- Crinoides diversos. 2- Tiaracrinus quadriforns. 3- Corais rugosos. 4- Corais tabulados. 5- Briozoários fenestellideos. 6- Outros briozoários. 7- Braquiopodes.8-Bivalves indeterminados que podem ter estilos de vida epibentónicos e/ou endobentónicos. 9- Tentaculites com estilo de vida sedentário (segundo Cornell & Brett, 2003). 10- Trilobites Phacopinae, incluindo o género Eocryphops. 11- Trilobites Asterospigynae. 12- Ripple marks. A imagem não tem escala.

  • Dornes

Nesta região surge uma fauna de invertebrados bentónicos, associada a rochas carbonatadas. Apesar deste facto, apenas a espécie de coral tabulado Ligulodictyum ligulatum (Gourvennec, et. al., 2010) é conhecida aqui e surge de forma escassa.  A acompanhar estes corais, surgem diversos braquiópodes e briozoários que, em associação com os corais, indicam correntes de baixa velocidade. Os crinoides estão também presentes e (juntamente com os corais e braquiópodes) são indicadores de águas pouco profundas, bem iluminadas e com correntes de baixa velocidade, assim como níveis normais de salinidade. Ocorrem ainda trilobites, Phyllocarida e tentaculites que coexistem neste ambiente de águas quentes e pouco profundas.


Figura 4: Bloco diagrama representando o paleoambiente e fauna presentes em Dornes. 1- Crinoides. 2- Ligulodictyum ligulatum. 3- Braquiópodes diversos. 4- Phyllocarida (segundo Gourvennec, et. al., 2010). 5- Trilobites (segundo Gourvennec, et. al., 2010). 6 e 8- Tentaculites com estilo de vida sedentário (segundo Cornell & Brett, 2003). 7- Briozoários. A imagem não tem escala.


  • Portalegre
Esta região à semelhança de outras já aqui abordadas, possui também uma abundante fauna de invertebrados habitantes do fundo marinho. A presença frequente de corais tabulados e rugosos, sugere a existencia de um patch-reef, à semelhança do observado em Laúndos (jazida 2) e São Pedro da Cova. A presença de crinoides, corais e braquiópodes sugere águas pouco profundas, bem iluminadas com correntes de baixa velocidade e níveis de salinidade normais. 

Figura 5: Bloco diagrama representando o paleoambiente e fauna presentes em Portalegre. 1- Crinoides. 2- Corais rugosos. 3- Crassicyclus sp. 4- Kerforneidictyum kerfornei. 5- Paracleistopora sp. ou Cleistodictyum sp. 6- Braquiópodes diversos. 7- Trilobites Acastidae. 8- Trilobites Proetidae representadas pelo género Gerastus. 9- Trilobites Asterospigynae representadas por vários géneros. 10- Trilobites Phacopinae. 11- Trilobites Calymenina representadas por vários géneros segundo Caprichoso, 2019). 12- Tentaculites com estilo de vida sedentário (segundo Cornell & Brett, 2003). A imagem não tem escala.