Contextualização

O cálcio é o mineral mais abundante no organismo humano (99% nos ossos e dentes e 1% no sangue, fluídos extracelulares e células de tecidos moles). Porém, a deficiência do cálcio, para além de afectar a contração muscular, coagulação sanguínea e a transmissão nervosa, pode induzir o raquitismo em crianças e a osteomalácia em adultos.

Neste contexto, a evolução de carências em cálcio no organismo ao longo da vida do ser humano depende da formação óssea no começo da vida, do acúmulo de cálcio nos ossos e da quantidade de massa óssea nas idades mais avançadas.

Com a biofortificação de alimentos em cálcio, as populações com acesso limitado aos mercados e sistemas de saúde podem ser beneficiadas, pois as elevadas taxas de consumo destes produtos permitem um maior sucesso / impacte dos Programas de Biofortificação (tal como aponta a OMS e o Centro Internacional da Batata).

Neste contexto a batata, porque é um alimento cuja produção a nível mundial ocupa o 3º lugar, possui um enorme potencial para reduzir o défice de cálcio.

Porém, a biofortificação de batata em cálcio coloca questões de índole técnica, cientifico, económico e social, nomeadamente:

1. Que variedades selecionar para futura exploração num contexto nacional e internacional?

2. Que tipo e forma de adubação deve ser aplicada?

3. Que implicações para as tecnologias de transformação nas indústrias alimentares?

4. Que alterações na carga nutricional do produto biofortificado? Que níveis de bioassimilação ocorrem após biofortificação?

Propõe-se assim a obtenção de batata biofortificada, e disseminar informação técnica junto de produtores e indústria transformadora, considerando as necessidades das populações. Incrementa-se ainda a competitividade da cadeia agro-industrial nacional ligada à batata (Solanum tuberosum), e fomentam-se as potencialidades para exportação nos mercados internacionais.