Apresentação

A problemática ambiental tem assumido ao longo das últimas décadas contornos de um verdadeiro fenómeno social, afectando e envolvendo todos os sectores da actividade económica e todos os cidadãos. As Faculdades não são excepção, pela sua função na formação das gerações futuras de decisores e profissionais e pelo facto de deterem conhecimentos e tecnologias em várias áreas do saber, têm um papel fundamental no esforço global necessário para um desenvolvimento sustentável. Deste modo, é seu dever contribuir para a literacia ambiental e para a promoção de práticas de ética ambiental na sociedade.

O projecto Campus Verde tem como objectivo a melhoria do desempenho ambiental da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT/UNL) com a implementação e certificação de um sistema de gestão ambiental de acordo com a Norma NP EN ISO 14001:2004.

A FCT/UNL é uma das nove unidades orgânicas da UNL, situa-se no Monte de Caparica, concelho de Almada, num Campus Universitário com uma área aproximada de 30 ha, com capacidade de expansão até aos 60 ha. Trata-se de um espaço onde estudam e trabalham cerca de 7500 pessoas e onde se desenvolvem as mais diversas actividades, directa e indirectamente relacionadas com o ensino e investigação.

O âmbito deste projecto abrange, assim, todas as actividades desenvolvidas na área do Campus Universitário da Caparica.

A abordagem ao projecto de Certificação do Sistema de Gestão Ambiental da FCT-UNL integra as seguintes fases:

  1. “Lançamento” e Sensibilização
  2. Diagnóstico ambiental ao Campus da FCT-UNL
  3. Desenho e Implementação do Sistema de Gestão Ambiental e do Plano de Acções
  4. Preparação para Auditoria de Certificação

Neste momento os trabalhos a desenvolver encontram-se na fase 3, mantendo-se algumas actividades das fases 1 e 2.

Historial

 

A consciencialização do movimento universitário internacional para o desenvolvimento sustentável deu origem, no ano lectivo de 1995/96, à criação de um movimento informar designado por EcoCampus, promovido por um grupo de docentes e alunos do Departamento de Ciências e Engenharia do Ambiente (DCEA) e pelo grupo GAIA (Grupo Académico de Intervenção Ambiental). Durante três anos este movimento realizou diversas actividades de carácter pontual, as quais, no entanto, por não se enquadrarem numa política estratégica da própria FCT/UNL acabaram por não ter grandes consequências em termos de alterações ao nível da gestão ambiental do Campus.

Em 1998 arranca o projecto Campus Verde que se iniciou com uma ideia de dois estudantes e um professor assistente: aplicar a metodologia usada na disciplina de Projecto de Auditoria e Ecogestão da Licenciatura em Engenharia do Ambiente (FCT-UNL) ao próprio campus universitário da Caparica.

No ano 2000, o projecto obteve financiamento pela FCT-UNL, sendo desenvolvido num projecto de demonstração a toda a escala, pretendendo constituir um enquadramento à criação do sistema de gestão ambiental (SGA) do campus da Caparica.

Os principais objectivos do projecto Campus Verde nesta fase, entre 2000 e 2003, foram:

  • Conduzir um levantamento ambiental ao campus, identificando aspectos ambientais relevantes e quantificando os respectivos impactes ambientais;
  • Estabelecer directrizes para a implementação de um SGA no campus da Caparica, por forma a potenciar melhores práticas de gestão e um melhor desempenho ambiental do campus;
  • Encorajar a FCT-UNL a trabalhar no sentido da certificação ambiental (segundo as normas ISO 14001 e/ou o regulamento EMAS II);
  • Realizar actividades com estudantes, docentes, outros funcionários e decisores da FCT-UNL, procurando uma implementação participativa do SGA;
  • Prosseguir a investigação na temática da «gestão ambiental de universidades».

Dos resultados obtidos nesta fase há que destacar os levantamentos ambientais realizados em 1998 e 2000.

  • O levantamento ambiental inicial constitui o primeiro requisito da implementação de um sistema de gestão ambiental (SGA). É um instrumento de grande utilidade, pois permite a uma organização:
  • Caracterizar a sua situação ambiental;Identificar prioridades no curto-prazo (cumprimento da legislação ambiental aplicável);
  • Delinear uma estratégia ambiental no médio-longo prazo (implementação de um SGA e certificação ambiental).

Levantamento Ambiental 1998

 Em Março de 1998, no âmbito da disciplina de projecto de auditoria e ecogestão da licenciatura em Engenharia do Ambiente da FCT-UNL, três alunos acolheram como caso-estudo o Campus da Caparica. Após aprovação do plano de trabalhos, iniciou-se o primeiro Levantamento Ambiental à FCT.

Este levantamento ambiental conclui ser «urgente integrar a componente ambiental nas actividades de gestão da FCT-UNL e resolver os problemas ambientais do campus da FCT de uma forma integrada e com o envolvimento de todos os utentes do campus. A FCT está especialmente vocacionada para esta tarefa, uma vez que dispõe de recursos humanos, científicos e tecnológicos de excelência na área do ambiente, devendo portanto iniciar no campus a boa prática que ensina e desenvolve ao serviço da sociedade.»

Levantamento Ambiental 2000

 O levantamento ambiental realizado ao Campus da Caparica no ano 2000 foi efectuado no âmbito do projecto Campus Verde com o objectivo de completar o levantamento ambiental realizado em 1998.

Este levantamento apresentou algumas particularidades face aos relatórios normalmente produzidos por equipas de consultoria. Ainda que se tratasse de uma ferramenta de apoio à decisão (especialmente dirigida à Direcção da FCT), apresentou algumas inovações científicas (como o cálculo do potencial de aquecimento global do campus) e sistematiza informação não-ambiental, antes dispersa, essencial a uma boa gestão do Campus e da Faculdade.

Consulte aqui o resumo executivo do Levantamento Ambiental 2000 ao Campus da Caparica.

Uma nova fase do projecto Campus Verde inicia-se em 2006 com o objectivo muito evidente de implementar e certificar um sistema de gestão ambiental no Campus da FCT-UNL de acordo com a Norma NP EN ISO 14001:2004.

Movimentos Eco-Campus

 

Apesar de ambicioso, o projecto Campus Verde, já com algum historial, não é pioneiro quanto às preocupações ambientais em estabelecimentos de ensino superior.

Em 1988, acompanhando as preocupações ambientais globais, a Conferência dos Reitores da Europa (CRE) lançou o programa COPERNICUS (COoperation Programme in Europe for Research on Nature and Industry through Coordinated University Studies) com o objectivo de envolver as universidades europeias na partilha de conhecimento e experiência na área do desenvolvimento sustentável e de as encorajar a estabelecer parcerias com a indústria.

Alguns anos mais tarde, na Conferência do Rio, em 1992, o CRE lança um apelo urgente para o envolvimento das universidades no desenvolvimento sustentável. Na sequência deste apelo e tendo como visão tornar a sustentabilidade uma «marca registada» tanto do Espaço Europeu da Investigação como do Espaço Europeu da Educação, o programa COPERNICUS desenvolve a sua própria estratégia de acção consubstanciada nos princípios expostos na Carta das Universidades para o Desenvolvimento Sustentável, elaborada em 1993. Esta carta, assinada em Abril de 1994 por 196 universidades, entre as quais a Universidade Nova de Lisboa, estabelece 10 princípios de acção para a preservação do ambiente e a promoção de um desenvolvimento sustentável. Actualmente a Carta das Universidades para o Desenvolvimento Sustentável encontra-se subscrita por mais de 320 estabelecimentos de ensino superior em 38 países europeus.
Nota de referência ainda o primeiro encontro Campus Earth Summit, em Fevereiro de 1994, na Universidade de Yale (EUA) que reuniu mais de 500 estudantes, membros de faculdades e administradores de 120 universidades americanas e de 29 universidades internacionais. A finalidade deste encontro foi discutir e partilhar informações sobre as formas de redesenhar a educação e as práticas ambientais dos Campus. Deste encontro resultou o Campus Blueprint for a Sustainable Future, um documento onde surgem as seguintes recomendações para as acções a promover pelos Campus:

  1. Integrar o conhecimento ambiental em todas as disciplinas relevantes;
  2. Melhorar as ofertas de cursos de pós-graduação em estudos ambientais;
  3. Fornecer oportunidades para os alunos estudarem o Campus e os assuntos do ambiente local;
  4. Implementar auditorias ambientais ao Campus;
  5. Instituir uma política de consumo responsável;
  6. Reduzir os resíduos produzidos no Campus;
  7. Maximizar a eficiência energética do Campus;
  8. Fazer da sustentabilidade ambiental uma prioridade para os usos do solo, os transportes e o planeamento dos edifícios no Campus;
  9. Promover um centro ambiental de estudantes;
  10. Apoiar os estudantes que procuram carreiras ambientalmente responsáveis.

Neste documento reforça-se a ideia da necessidade de promover o uso do Campus como um laboratório experimental e como modelo de desenvolvimento sustentável para as comunidades exteriores ao Campus, servindo assim de exemplo de boas práticas e comportamentos ambientais.

Em 1999 surge uma nova associação independente, o COPERNICUS-CAMPUS, embora como uma continuação do CRE-COPERNICUS. Na Cimeira Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável, realizada em Joanesburgo, em 2002, o COPERNICUS-CAMPUS tornou-se co-fundador e sócio do Global Higher Education for Sustainability Partnership (GHESP), em conjunto com a International Association of Universities (IAU), a University Leaders for a Sustainable Future (ULSF) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), combinando esforços com o objectivo de mobilizar as instituições de ensino superior a assumir um desenvolvimento sustentável em reposta ao Capítulo 36 da Agenda 21.

Ainda de realçar o facto da UNESCO ter declarado a década de 2005 a 2014 como a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável, tendo por objectivo promover a integração dos princípios, valores e práticas do desenvolvimento sustentável em todos os aspectos da educação e do ensino. Todos os sócios do GHESP colaboraram na elaboração do documento da UNESCO sobre Educação Superior e Desenvolvimento Sustentável que serviu como um documento de base para a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável.

A Universidade Nova de lisboa (UNL) como subscritora da Carta das Universidades para o Desenvolvimento Sustentável e como membro da rede COPERNICUS-CAMPUS deve integrar os princípios do desenvolvimento sustentável nas suas unidades orgânicas.